ÉTICA NO MUNDO CORPORATIVO


Magda Vilas-Boas
Fala-se tanto em Ética, há tanta necessidade de ser falar, de viver, de ensinar, de aprender. A mídia despeja em nossas cabeças um cabedal enorme de informações sobre escândalos, roubos, corrupção, que um clamor de moralização atinge a sociedade e os negócios. A Ética, como sinônimo de transparência nas relações e preocupação com o impacto que poderá acarretar das atividades organizacionais na sociedade, tem mudado o seu conceito, como requisito para a sobrevivência das empresas, pois sabem que podem ser varridas do mapa. Por isso, percebe-se que o discurso ético tem se desenvolvido na última década. Mesmo assim, sabe-se que, nos Estados Unidos, um em cada seis diretores financeiros afirmam ter falsificado número da empresa, por pressão da cúpula. Ao mesmo tempo, a demonstração da empresa ética promete funcionários contentes, satisfeitos, fornecedores de confiança e consumidores fiéis. Há vários estudos que dizem que o comportamento ético traz bons resultados financeiros. O que se torna difícil é reconhecer a prática real da responsabilidade, pois impingem a ética como mercadoria. As ações de responsabilidade social têm se tornado esforço de propaganda. Tanto é que as verbas saem do departamento de Marketing. Em função da crescente pressão da sociedade, muitas empresas querem passar uma imagem de organização cidadã. Conflitos éticos é o que não falta. O objetivo de maximizar os lucros confrontam com o objetivo dos funcionários de obter maior remuneração.

É claro que a Ética combina com sucesso nos negócios, mas ela impõe restrições. Para isso, a empresa terá que lidar com valores baseados em honestidade, verdade e justiça. E isso pode levar a algumas perdas. Essa conversa não é só balela não. Algumas empresas dão exemplos de comportamento ético. Por suspeitar “lavagem de dinheiro”, a empresa Cummins, fabricante de motores a diesel, deixou de vender suas peças no varejo, na Colômbia, perdendo perto de 4 milhões de dólares de faturamento. Esta atitude foi fundamentada no respeito aos valores que os fundadores têm. Há outro exemplo da empresa paulista Argos, decidiu não realizar cotações para clientes que atuem na produção com fins militares.

Sabe-se que é um grande desafio, fugir das tentações fáceis de serem aceitas, tal a dificuldade de muitas empresas, mediante grande carga de impostos, no Brasil e a sonegação torna-se fácil e simples. A Ética tem lidado com questões difíceis. As empresas de tabaco, por
exemplo, têm informado que o fumo faz mal, lidam com legislação dura e, ao mesmo tempo, cria programas sobre comportamento de risco, sensibilizando os varejistas a não vender produtos para menores. Será que isso seria suficiente? Estaria realizando realmente, a função social da empresa? Percebe-se que muitas empresas utilizam o discurso ético, falando de transparência, por motivos mercadológicos. Empresas responsáveis são aquelas que aplicam a ética em todos os seus processos e nas decisões de negócios, começando da cúpula empresarial.

Quando os profissionais vivem num ambiente ético, a transparência aumenta a eficiência das informações e a confiança diminui os custos de controle.