Em termos econômicos e políticos, a família tem se adaptado às questões de organização de trabalho e sobrevivência e isto faz com que gere diferentes modos de convivência. Há a interferência de poder público por meio de normas e leis que tentam regulamentar as relações entre as pessoas, como casamento, divórcio, aborto, transmissão de herança, reprodução biológica, guarda de filhos, concessão de benefícios e outros. Outros dados que afetam a família hoje são a intensificação de avanço da ciência, advento de técnicas anticoncepcionais, exames de DNA. Tudo isso faz renovar maneiras de ver e de viver uma família e que faz com que aumentem os números de casamentos consensuais, de gravidez fora do casamento, casamentos entre pessoas do mesmo sexo, redução de famílias nucleares, famílias matrifocais e famílias patrifocais.

Este formato familiar moderno tem se transformado continuamente e, por isso, esse assunto tem sido bastante freqüente em pesquisas e reflexões, na mídia e em universidades. As separações e os novos núcleos, por conseqüência, exigem maior diversidade de estilos de convivência e maior cuidado ainda na convivência. Estes núcleos envolvem padrastos, madrastas, irmão de parte de pai ou de mãe, filhos do primeiro casamento, do segundo, etc., casais homossexuais, heterossexuais, e outros modelos. Em todas essas categorias, o que, na verdade, as pessoas buscam é o sentido de família, que, hoje são evidenciadas pelo sentimento de pertença, de vínculo, mesmo que esse vínculo não seja sanguíneo. Percebe-se que muitas famílias reagem criativamente, organizando e criando outras relações internas, em que pais e mães buscam criam vínculos afetivos a partir da consciência mútua e inovações na convivência doméstica.

Como se vê, a ampliação das relações é fonte, muitas vezes, de confusão, tensões e conflitos, no sentido de classificar todos os participantes de determinado núcleo e saber lidar com cada situação. O que precisa ser repensado é a forma de convivência, que seja amistosa, se não puder ser amorosa, respeitosa e afetiva, o que já se vê em muitas famílias de novos relacionamentos em que padrastos ou madrastas convivem pacificamente com os filhos do marido ou da mulher. Não gosto, particularmente, das palavras madrasta ou padrasto, talvez por influência de histórias infantis em que a madrasta era má e a idéia de que se é padrasto ou madrasta foi porque pai ou mãe faleceram, como se ouvia em tempos anteriores.

Vê-se que é necessário que se saia da idéia de família, somente com o modelo tradicional, uma vez que a sociedade está em constante movimento de acordo com as inovações em todos os meios, e a família, como célula da sociedade, recebe os impactos e as influências. Precisa ser compreendida e achar formas criativas de saber lidar com todas as nuances, sabendo-se que todas as pessoas têm o direito de realização da forma que for possível. O que se vê hoje, no Brasil é o apreço e o desejo de se tornar família,o que leva a valorizar a família, nos seus diferentes arranjos, sendo que o importa realmente são os vínculos afetivos que vai fazer com que a pessoa se realize no sentido de se sentir amado, levado em conta, respeitado como ser humano, sentimento de pertença a “um grupo de convivência fundado na solidariedade[1].

Magda Vilas - Boas


[1] Geraldo Romanelli, Revista E, SESC, setembro/2012, n° 3 ano 19.

fonte da ilustração: http://pnld.moderna.com.br/2012/05/21/o-novo-papel-da-familia-na-educacao-das-criancas/