A tradicional exposição de conteúdos, nas escolas brasileiras tem sido muito questionada e algumas escolas já trocaram por debates, experiências e exercício de aprendizado relacionado com a vida dos alunos. É importante perceber que a qualidade das aulas nas escolas e universidades é já há tempo superada, uma vez que a vida em todos os aspectos é dinâmica, onde transformações são contínuas. A visão do professor como aquele que ensina, que transfere conteúdo não pode existir mais. Até a palavra professor está superada, pois professor é aquele que professa uma verdade, que tudo sabe e, por isso, acha-se superior. O ideal que fosse educador, facilitador de aprendizagens a palavra adequada para quem, junto com os alunos, aprende. A palavra aluno também não é conveniente para a proposta atual de educação, pois significa sem luz, como se pensava no século XVI e XVII, que a mente do aprendiz fosse como uma página em branco que só receberia conhecimento a partir dos professores. Hoje percebe-se que a criança vem para a escola com inúmero aprendizados, de acordo com sua experiência de vida, na relação com o mundo, com as pessoas, com as situações de que participa.

Então uma aula deve ser preenchida de debates, quando os educadores apresentam diferentes temas ou são apresentados pelos alunos, que trazem de sua experiência indagações, questionamentos e/ou trazem informações que a maioria dos colegas não têm ainda ou até o educador, que vive realidades diferentes das dos aprendizes. Cabe ao educador, acompanhar os temas direcionar para o aprendizado do conteúdo a que se define naquela série ou curso. Além de debates, é de suma importância a Escola abrir suas portas para a comunidade e comungar com os desafios e as possibilidades de aprendizado. As novas metodologias educacionais privilegiam a Educação Comunitária, que insere uma nova forma de relação da escola com a comunidade, de onde vêm os alunos, quando os setores (primeiro, segundo e terceiro) se juntam organicamente na busca de soluções para a Educação, promovendo assim, uma sociedade saudável, solidária, em que a partilha de conhecimentos leve à justiça, ao fortalecimento para benefícios para a comunidade e para a escola.

A educação comunitária e o Bairro-Escola funcionam como o elemento de ligação, como catalisador para uma sociedade mais saudável, justa, solidária, empoderada e aprimorando simultaneamente, comunidade e a educação, com o objetivo de integrar escola e a comunidade, compondo uma vivência única de aprendizado[1].

Mudar a visão da palavra conhecimento, como todos os saberes, sejam eles, acadêmico ou popular, é de fundamental importância, uma vez que o conhecimento encontra-se em toda parte. Isso determina um novo olhar para pensar e fazer educação, atualmente. Daí a importância de se juntar com a comunidade, expandir para fora das quatro paredes de uma sala de aula, conhecer a realidade do aluno e trazer para dentro da sala as discussões e os conhecimentos adquiridos por meio dos lugares, das pessoas, dos modos de vida, as organizações, as crenças, os comportamentos para que se faça uma aprendizagem integral do aluno e, ao mesmo tempo, do professor, que aprende enquanto ensina. Como o objetivo e função da educação é preparar o aluno para a vida, todo aprendizado deve ter esse efeito, conseguir buscar a conexão, a integração, a vida orgânica, entre o de fora e o de dentro, entre a escola e a vida. E, dentro desta modalidade de educação, deparamos com a dificuldade de o professor compreender e viver essa integração, pois não recebeu educação assim e muitas vezes, tende a repetir, numa rigidez em buscar novas possibilidades. O aluno prima pela liberdade de conhecer, é ávido de ir para fora da sala de aula. Qualquer professor sente isso. Foi nessa percepção de Freinet (1896-1966), educador francês, por meio de experiências com as crianças, criou a experiência de “Aula das Descobertas”, a partir das quais é que se chegava à teoria. Essas “aulas-passeio” eram verdadeiros momentos de vivenciar com todos os sentidos a realidade interna e externa da Escola.

Assim, a sala de aula alarga seus horizontes e tem um novo formato, acabam as filas de cadeiras, passam a usar mesas redondas quando os aprendizes podem ver os rostos uns dos outros, conversar e refletir sobre diferentes assuntos. Há um formato de aula chamado de “peer instruction (formação por pares), usado na Universidade Havard, criado pelo professor Eric Mazur, uma opção para que aprendizes mantenham a atenção durante o período da aula. Consta de consulta prévia dos aprendizes, em formato de grupos estes discutem os que foi consultado individualmente. Quando o índice de aprofundamento desses conteúdos for acima de 40%, os alunos devem continuar debatendo, mas se for menor que isso, deverão consultar mais a questão. Um dado importante é levar aos aprendizes formas de problematizar situações e buscar soluções, pois é isto que vão encontrar pela vida adulta. E as aulas devem ser dinâmicas, de ação ativa dos aprendizes.

Magda Vilas-Boas


[1] Disponível em http://aprendiz.uol.com.br/content/swigokolos.mmp. Acesso em 11/11/2013.

Fonte da ilustração: www.institutoalgar.org.br